IGUARIAS DE ONTEM
IGUARIAS DE HOJE
este é o bairro bom fim |
O tempo passa.
A memória, quando exercitada,
fica.
E eu me lembro, como se fosse
hoje.
Novamente o Bom Fim de ontem.
Novamente? Vocês devem estar se
indagando.
E eu digo: novamente. Porque
frequentei este bairro como morador até completar sete anos e depois
participando de atividades. Bairro de Porto Alegre que muito tem com a minha
história de vida.
Vou lhes falar hoje de
gastronomia.
Gastronomia do “velho” Bonfa.
Agora gostaram?
Sim de gastronomia.
Doces, sorvetes, churrasco,
sanduíche, café.
Todos de ontem.
Mas parecem que estão ali...
Acredito que muitos de vocês irão
recordar, ou talvez tenham ouvido falar.
O bairro Bom Fim de ontem, não
era tão boêmio como o Bom Fim de hoje, mas também tinha lugares onde poderíamos
nos deliciar com iguarias famosas. Hoje o bairro tem uma característica toda
própria. É um bairro freqüentado muito por jovens artistas. E isso é muito
interessante. É um bairro freqüentado por muitos jovens. Também interessante.
Outrora era um bairro tipicamente residencial de classe média e de muitas
famílias de imigrantes.
Inicio recordando a Sorveteria
Carlos. Um “point” do Bom Fim. Ali onde se encontram a Felipe Camarão e a
Henrique Dias, Isac e Liza Nelstein realizavam “aquele” delicioso sorvete.
Apreciado por todos. Jovens e adultos. Atendidos sempre com “aquele” sorriso.
Recebiam clientes de inúmeros bairros. Vinham todos para a fila saborear o
sorvete caseiro da Sorveteria Carlos. E como era bom!!!
Na Oswaldo Aranha, nas cercanias
do Banrisul de hoje e de uma loja de colchões ( mais ou menos é esta a “planta”
de situação) estava localizada a Confeitaria Flórida, cujos proprietários e
também atendentes eram judeus alemães. Realizavam doces e outros confeitos que
até hoje, ao lembrar, dá água na boca. Uma maravilha! Um deles é o que eu comia
todos os sábados pela manhã: doce de rum. Até hoje não comi doce com o mesmo
sabor.
Ainda na Oswaldo, entre a
Fernandes Vieira e General João Teles existia uma churrascaria cujo nome era: A
Estância. Serviam um delicioso churrasco. Estava situada num terreno muito
comprido e tinha lugares ao ar livre.
cinema Baltimore |
Junto ao então Cinema Baltimore, (hoje,
está sendo construído um enorme prédio de escritórios, poderiam – também –
realizar ali um centro cultural...), localizava-se o Bar do Aurélio. Servia um
excelente sanduíche. Muitos dos freqüentadores do “Bonfa” não deixavam de
passar no Aurélio para se deliciar com o seu sanduíche. Isto tudo me
contaram. Não é do meu tempo (há,há,há). Nos altos do Cinema ficava a antiga sede do Círculo Social Israelita
E as cafeterias?
O que sobrou do Bar João... antes da demolição total |
João ( também conhecido como Bar João) e Bom Fim (Serafim) eram as
mais famosas. Junto a elas, além do cafezinho ( “cavale” em idich) nos fundos
existiam as mesas de bilhar ou sinuca. Sempre muito freqüentadas...
Não podemos esquecer as padarias:
Três estrelas e Zoratto – esta fazendo um “pão coilitch” inigualável ( pão saboreado
muito pelos integrantes da comunidade judaica – também denominado de “chalá”). Na Felipe Camarão existia o Armazem Internacional com todas as iguarias da comunidade judaica. Neste prédio funciona hoje a sorveteria Cronk's.
Não podemos esquecer que desde
1959 existia o “famosão” cachorro quente do Zé do Passaporte. Hoje ele está
situado junto ao Mercado Público do Bom Fim. Também era um “point” de muitos porto-alegrenses.
Saiam das festas e iam saborear um “passaporte”... Junto ao Bom Fim...
"trailler" onde funcionava o "zé do passaporte" |
Todos estes lugares formavam a
gastronomia do Bom Fim. Sorvete, doces, sanduíches, churrasco, cachorro quente, pães
e café.
Perguntamos?
E agora, quem fará o sorvete da
Sorveteria Carlos?
E os doces da Confeitaria
Florida?
E o sanduíche do Aurélio?
E o churrasco da A Estância?
Bem, hoje, os tempos mudaram.
Estes lugares não mais existem. Hoje existem os “buffet”. Deliciosos! Existem
inúmeros restaurantes no Bom Fim com estas iguarias e com excelente qualidade.
Servindo também “a quilo”...
Hoje temos a Confeitaria
Barcelona na Henrique Dias.
Hoje temos o café localizado no
andar de cima do Zaffari da Fernandes Vieira.
Também são considerados “point”
para o público.
É a nova realidade do Bom Fim
deste, ainda, iniciante século.
Dá saudade dos dias e atividades
de ontem?
Creio que sim...
Para todos?
Acredito que não.
Temos que viver e apreciar as
mudanças.
Tudo passa!!!
Tudo passa!!!!
ResponderExcluirParabéns
Simon
Obrigado pela leitura.
ExcluirRealmente as coisas passam e muitas vezes passa desapercebido por muitos.
História é história e necessitamos preservá-la.
Abr.
David Iasnogrodski
Muito bacana David!!! Um misto de boa leitura com nostalgia! E o melhor ingrediente, do qual tenho muito orgulho, é que o Zé do Passaporte era meu tio!! Ele e sua Rural!E que baita tio! Junto a minha tia Neuza, formavam um belo e batalhador casal! Nos finais de anos ou feriados prolongados, para poder dispensar (merecidamente) alguns empregados, como o Chico, a família atacava em peso, inclusive eu, pia na época, no balcão e catando as garrafas nos bancos de cimento!! rsrs
ResponderExcluirValeu mesmo, caro David! me fez lembrar estas coisas maravilhosas do BONFA!
Abraços,
Julio C. Deichel