quarta-feira, 4 de abril de 2012

OUTONO


OUTONO

David Iasnogrodski – escritor, engenheiro, administrador – david.ez@terra.com.br


 

As folhas caindo.

A temperatura baixando.

É o outono que está entre nós.

Uns gostam da primavera.

Outros gostam do outono.

Tudo aqui no sul do Brasil.

Não podemos contentar todos.

Assim é a vida. 

Assim é em tudo...

Uns falam da Primavera como sendo uma estação mais alegre.

Outros falam que o Outono é mais triste.

Perto do inverno.

Vai chegar o frio...

Outono, uma das estações de transição.

Verão e Inverno são as estações fortes.

Outono: descanso do verão. Verão tórrido, ao menos aqui no sul do Brasil...

Outono: chegada do inverno. Inverno gelado, ao menos aqui no sul do Brasil...

E ali está o “senhor” Outono.

As folhas caindo.

O Sol não tão escaldante.

Estação bonita. Estação do ano onde os pensamentos são colocados em dia. As folhas caindo...

Estação de preparação para os dias “gris” do inverno. Será que vai ser gelado? Noites frias? Muita chuva?

Tudo é pensado no outono.

E ele está entre nós.

Dias ensolarados, mas com um sol não se apresentando tão forte...

Dias nebulosos. Em tudo...

E as folhas continuam caindo.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

TUDO É DIFÍCIL!?


TUDO É DIFÍCIL!?

David Iasnogrodski – escritor, engenheiro, administrador – david.ez@terra.com.br


 

Se as coisas fossem fáceis, acredito eu, não teriam muita graça...

Tudo é difícil!?

O que necessitamos é perseverança.

Vontade de conseguir.

Vontade de aprender.

Vontade!

Nem sempre o planejado é o conseguido. Mas, mesmo assim, necessitamos ter a força necessária para tentar conseguir o almejado.

Em muitas ocasiões o planejado, com todos os detalhes, é esbarrado em “detalhes” fora do contexto...

Em muitas ocasiões, nem tudo é exato. Por exemplo: a medicina não é uma ciência exata. Em diversas ocasiões, de acordo com o diagnostico pré-estabelecido, podem surgir outras complicações. E estas complicações necessitam ser sanadas de imediato. E às vezes demandam mais tempo do que o planejado inicialmente.

Nem tudo: 1 + 1 = 2

Necessitamos sempre estar prevenidos para todas as ocasiões.

Nem tudo é fácil!

Nem tudo pode ser planejado...

AQUI VOU EU!



AQUI VOU EU!

 

David Iasnogrodski – escritor, engenheiro, administrador – david.ez@terra.com.br  




Estou na Redenção!

No Parque da Redenção, o Parque Farroupilha. Em Porto Alegre.



Encontro amigos.



Encontro caminhantes.

Encontro corredores...



Encontro amigos...



Encontro, enfim, o sol e o tocador de violão.

Lá está ele. Dedilhando seu instrumento, acompanhado de uma caixa de som e de um “pratinho”.

Solitário o pratinho...

Solitária a caixa de som.

Mas o violonista está acompanhado de suas músicas. Entoando sua voz ao vento! Alegre! Muito alegre! Entoando suas músicas...



Encontro amigos...



Mais adiante o deficiente visual a nos pedir auxílio.

Está com um “guia” e o seu cachorro.

Sua mão estendida não é para nos cumprimentar. É o seu pedido de ajuda. Lá vai ele. Com seu óculos de lentes escuras. Guia e o cachorro. Mão estendida para todos...



Encontro amigos...



Encontro árvores. Umas mais frondosas do que outras. Todas a cumprir o seu papel junto ao parque. Todas à espera dos passantes, dos corredores, dos amigos...

Encontro pássaros. Todos a conversar... Todos a sorrir com as pessoas que os admiram...



Encontro amigos...



Mais adiante sorrisos.

Sorrisos de dois rivais. Um com a camiseta do Inter. O outro com a camiseta do grêmio. Sorriem. Conversam. São rivais no campo futebolístico, mas amigos no Parque. Falando a respeito dos últimos resultados... Resultados de campo... Ali sorrisos! Assim é a vida! Assim é o esporte.

Assim deve ser sempre a vida... Mas nem sempre são sorrisos...



Encontro amigos...



Encontro o “churros del Uruguay”.

Encontro a pipoca do seu Manuel.

Encontro o “algodão doce” da dona Rebeca.

Encontro o “Refri” do menino com "tapapó" branco...



Encontro amigos...



Mais uns passos e ali está a dançarina.

Treinando para a apresentação?

Ou está fazendo sua apresentação... Não sei. Só sei que resolvi parar.

Parar e olhar.

Olhar e admirar sua arte.

Sua vontade. A vontade da bailarina. Dançarina...

Sua jovialidade.

Sua perseverança. Seus gestos. Sua vontade de exercer sua arte...

Percebeu minha presença. Ficou satisfeita. Sorriu. Perguntou com os olhos: “Gostou?” E eu sacudi a cabeça em sinal de positividade.

Ela gostou! Sorriu. Continuou seu trabalho. Trabalho ou ensaio?

Não sei.

Percebi, então, que estava trabalhando. Não ensaiando. Trabalho da dançarina...

O “pratinho” estava no chão. Com algumas moedas. Poucas moedas.

Encantando a muitos... Estava ali a dançarina do parque...



Encontro amigos...



Encontro pais.

Encontro pais e filhos.

Encontro pais, filhos e uma bola. Bola de futebol...

Sorrisos dos três. Sim, dos três. Da bola também... Estava satisfeita com a companhia.



Encontro amigos...



Encontro as bicicletas.

Bicicletas e seus “motoristas”. Todos a passear. Todos apreciando “todos”... Todos apreciando tudo... Violonista, dançarina, jogadores de futebol, caminhantes, corredores, árvores, pássaros... Todos apreciando tudo!



Lá vou eu!

Caminhando!

Cantando!

Assobiando!

Músicas brasileiras... Da MPB. Da Bossa Nova.

Olho, mais uma vez as árvores. Os pássaros... Me lembro da Bossa Nova. Da Garota de Ipanema. Poderia ser até a Garota do Bom Fim...

Me lembro da Bossa Nova. 50 anos “desse ritmo” – Brazilian Jazz... Recordo da Elis, Tom Jobim, Zimbo Trio, Dorival – baiano – Caymi, João Gilberto. Me lembro da Bossa Nova...

Continuo caminhando. Caminhando e cantando. Caminhando, cantando e assobiando...



Lá vou eu!

Pensando na “banda”. Não na música intitulada “banda”. Lembro da “banda” no Parque. “Retreta” do parque de antigamente... “Retreta no parque” – bom programa... Era o parque de ontem. Não tinha o violonista, dançarina. Mas tinha as árvores e os pássaros. Tinha as bicicletas de aluguel e os barquinhos com remo...



Hoje encontro amigos.



Encontro pássaros e árvores. Flores e monumentos. Monumentos ainda não atingidos pelas pichações. A maioria deles estão pichados e sem as placas de identificação. É o tempo de hoje... é o parque de hoje...



Lá vou eu!



Redenção. Parque da Redenção!

Parque de todos! De todas as idades. Do bebê no carrinho até o integrante da melhor idade... De todos!

Parque dos amigos.

Parque da democracia.

Local de todos... De todos!



Lá vou eu!



Agora embora.

Depois do passeio.

Depois de admirar a paisagem.

Depois de admirar os passantes, corredores e trabalhadores...

Aos amigos digo até amanhã! Até o próximo encontro...



Lá vou eu!

sexta-feira, 30 de março de 2012

CRIANÇA, CRIANÇA, CRIAN...


CRIANÇA, CRIANÇA, CRIAN...





David Iasnogrodski – escritor, engenheiro, administrador – david.ez@terra.com.br






“Criança feliz,

Feliz a cantar,

Alegre embalar,

Seu sonho infantil...”



Ouvi pela primeira vez esta música através do “Rei da Voz”: Francisco Alves.

Ao pensar nisso, chego à conclusão que minha idade está avançando, pois muitos de vocês não conhecem nem a música e muito menos o cantor Francisco Alves, que faleceu num acidente automobilístico.

Não vou falar da minha idade.

Não vou falar do cantor.

Mas vou falar, isso sim, sobre criança.

Tenho idade e cabelos iniciando a ficar branco, mas me sinto uma criança.

Acredito piamente que ao pronunciarmos o termo “criança” já acompanhado de uma musicalidade, de um sorriso nos lábios e alegria em tudo.

Criança somos todos nós – e sempre!

O ser humano é uma criança.

Digo sempre que sinônimo de ser humano é a palavra criança.

Criança ri.

Criança chora.

Criança gosta de bolas e balas. De boneca, de carrinhos e também do “faz de conta”.

Há algo mais lindo do que história?

Há algo mais lindo do que criança contando história?

Há algo mais lindo do que criança ouvindo e perguntando a respeito das histórias?

Será que o computador vai tirar o espaço de contarmos histórias para as crianças? Será que vai ser restrito o espaço da criança em poder ouvir e contar suas  histórias?

Fico a pensar muito a respeito desse assunto.

Seriamente!

Será que o computador vai tirar este espaço tão emocionante para ambos: o contador e a criança? É o espaço “do faz de conta”.

Tomara que não.

Crianças! Minha homenagem a vocês. Sei que o dia 12 de outubro é dedicado a vocês, mas acredito que todos os dias do ano são dias de vocês. Vocês fazem a alegria de todos nós...

Continuem a pedir:

“Quero que me contem histórias...”

Crianças! Minha homenagem.

Continuem sempre crianças...

Eu continuo uma criança, apesar de que muitos já não me consideram...

"ELES" TAMBÉM VIAJAM


“Eles” também viajam

 

David Iasnogrodski – escritor, engenheiro, administrador – david.ez@terra.com.br




- Oi Dunga!

- Oi Teco!

- Estamos hoje nos encontrando em novo parque

-         Sim! Fomos levados, até que enfim, para um novo lugar. Maior! Mais árvores... Mais bancos para “eles” sentarem.

- Falando sério! Eu já estava com “saco cheio” daquela praça. Tudo igual! As mesmas coisas. Tudo igual! Ao menos neste parque a “gente” tem mais grama. Mais coisas para a “gente” ver. Até o número de pássaros é maior. Mais lugares para a “gente” correr.

- É verdade! Este parque tem  monumentos lindos. Pena que estão todos pichados! Tem dançarinos de tango. Tocadores de violão, cantores, mas todos com um “pratinho” na frente. E não é para colocar comida como se fosse para “nós”. É para os apreciadores colocarem moedas. É o trabalho “deles”... Noto também que tem muito mais “gente” como a “gente” e gente como “eles”...

- Iguais aos “nossos’ donos...

- Continuo afirmando: “donos”, porque eles continuam nos tratando como ‘nossos donos”, mas “falam” aos “seus” amigos que somos seus “filhinhos”... Fico só ouvindo e olhando...

- Que sadismo!

- Mas tenho uma novidade para te contar.

- Então fala. Desembucha!

- Estive viajando! Até que enfim! Realizei um de meus sonhos. Gosto muito de viajar. Toda vez que vejo na televisão cidades diferentes eu penso: ainda um dia terei oportunidade de conhecer.

- Pra onde foste? Ou melhor, para onde foste levado?

- Para São Paulo. E de avião...

- De avião? Deve ter sido muito legal! Viajar de avião é muito rápido e muito confortável. Não é verdade?

- Rápido é. Muito rápido. Fui num vôo noturno. Mas nada confortável, ao menos onde fui “colocado”. Fui no porão daquele “monstro”. Junto com as bagagens “deles”. Veja só – não tiveram a “coragem” de me colocarem junto “deles”. Naquelas poltronas super confortáveis que tem lá em cima, como “você” mesmo disse... “somos” sempre, em tudo, os excluídos! Isso que somos considerados os filhinhos... Imagina se “nós” não fôssemos os filhinhos... Continuo dizendo: são “nossos” donos.

- Tirando os problemas com a viagem, como foi o resto? Deu para conhecer aquela “cidade grande”?

- Foi muito legal! Conheci muitos lugares que eu “sonhava” muito em conhecer. É uma “cidade monstruosa”. Trânsito maluco. Demora muito tempo para que a “gente” possa ir de um lugar a outro. Mesmo assim, nos poucos dias que estive lá pude apreciar muitos lugares.

- Quais?

- Fui na Rua 25 de março. Rua de muito movimento. “Eles” queriam fazer umas “comprinhas”. Rua com grandes lojas. Muitos camelôs. Enfim um movimento enorme. Fui no Parque Ibirapuera. Belíssimo! Corri bastante. Fiz algumas amizades, mas ”nossos” colegas de lá também só pensam em trabalho como os donos deles... Andei de metrô. É muito legal! Mas tive que ir no colo do meu “dono”. Foi tudo muito legal! Estive em outros lugares que nem me lembro o nome.

- Como eu também gostaria de viajar! Meu dia chegará...

- Olha não existe coisa melhor neste mundo do que a “gente” sair e conhecer novas “amizades” e novos lugares. “Eles” e “nós” precisamos, às vezes, nos arejar um pouco através de saídas...

- Bem, estou achando este parque tão mal cuidado. Não achas?

- É verdade! Observo muito na TV que estão solicitando a todos a colaboração para que ajudem na manutenção de praças e parques. Eu só faço minhas necessidades junto às árvores. Vejo muitos sujarem com papéis e latas de refrigerantes e cervejas. Não deveria ser assim. Precisariam colocar os detritos junto aos locais adequados...

- É verdade! A “gente” só observa o contrário...

- Algo que “nós” poderíamos solicitar ao “nosso glorioso” sindicato. Que o mesmo fizesse uma campanha mercadológica em prol de uma melhor manutenção dos “nossos” parques.

- Boa idéia! Até para “nós” seria melhor...

- Vamos levar adiante a “nossa” idéia?

Vamos...

E o slogan que “nós” vamos sugerir é o seguinte: “ manutenção e limpeza sempre”. Em tudo devemos pensar que: “nós unidos jamais seremos vencidos”!

 Para este assunto “nós’ já temos a solução... Notaste que já está havendo pessoas estranhas nos parques e praças?

Claro! são os candidatos ao pleito eleitoral que está se aproximando...

Nem tinha me apercebido disso! A cidade está limpa!

É porque neste ano a lei mudou e “eles” não podem mais fixar cartazes nas ruas. Porisso estão vindo nos parques e apertando as mãos dos “conhecidos”...

E “nós”? Não somos conhecidos “deles”?

Claro que não... “nós” não votamos.  “Nós” não temos título eleitoral...

É verdade!

Bem, já estão nos puxando. É o sinal de irmos para casa.

Não temos nunca liberdade de ficarmos o tempo que desejarmos...

Mais uma verdade! “Eles” são assim. Não pensam que também temos direito à liberdade...



Mais uma vez notamos que “eles” Dunga e Teco ( dois “cãezinhos”) estão tentando ocupar o espaço “deles”.

Será que “eles” – “os cães” um dia conseguirão?

terça-feira, 27 de março de 2012

APOSENTADORIA OU INATIVIDADE?


APOSENTADORIA OU INATIVIDADE?



David Iasnogrodski – escritor, engenheiro, administrador – david.ez@terra.com.br

 

Aposentadoria: sim!

Inatividade: não!



É assim que desejamos sempre quando se atinge uma certa idade.

O pior momento, quando se atinge uma determinada idade, é resolver parar.

Parar!

Parar e fazer o que?

Quando parar?

Parar?

Parar nunca... Assim seria o ideal!

Ter a merecida aposentadoria, mas não com a inatividade.

Deve ser sempre bem pensado, e muito bem, o momento da aposentadoria. Já existe até “cursinhos” de preparação.

Não deve ser fácil. Nada fácil esta resolução.

Parar!

Depois de tantos anos realizando suas atividades e de repente, como num passe de mágica, parar.



Parar!

Parar e fazer o que?

Devemos pensar.

Pensar!

Pensar e acordar.

Acordar e fazer o que?



Se planejamos bem, esta mudança não é tão traumática. Em caso negativo precisamos estar preparados. Bem preparados!

Preparados para a mudança. Estou, neste momento, pensando.



Pensando e planejando.

Planejando e me preparando.

Para quando?

Ainda não sei.

Mas preciso me preparar.

Preparar a mente!

Preparar o corpo!

Preparar as atitudes!

Preparar, planejar e pensar para parar...

Não podemos ficar na inatividade. Não faz bem a ninguém.



Não consigo pensar que existem pessoas na completa inatividade. Antes, ainda, de uma aposentadoria. Sabemos que há dificuldade de empregos. Dificuldade de trabalho. Mas precisamos “batalhar”! “Batalhar” bastante, para que a ociosidade e o acomodamento não tome conta “ de nosso corpo”. Deve ser horrível!

Mas existe!

O importante é chegarmos a um ponto da vida e termos nossa “merecida” aposentadoria, mas sem o acompanhamento da palavra “inatividade”.



Não faz parte do ser humano!

É a minha “modesta” opinião...



E vocês o que acham?

Alguns de vocês podem já estar aposentados. Mas não inativos, não é a verdade?

Vocês que já possuem a sua aposentadoria, pergunto: “ Como estão se sentindo?”

Espero as respostas...

quinta-feira, 15 de março de 2012

"NUUUUU..."


“NUUUUU...”



David Iasnogrodski – escritor, engenheiro, administrador – david.ez@terra.com.br




Sou Schmil.

Natural da Bessarábia.

Só falo e entendo “idisch”. ( dialeto do alemão falado pelos judeus oriundos da Europa)

Resolvi viajar para o Japão e Inglaterra.

Vejam bem, eu um “id” (judeu) indo viajar pelo mundo. Main got!” (Meu Deus)

De início senti muito medo.

Meus amigos me disseram:

-         Schmil, tu tens dinheiro no bolso?

-         Sim...

-         Tens boca?

-         Sim...

-         Então podes aproveitar... Viajar é muito bom. A gente conhece muita gente... A gente aprende muita “coisa” nova...



E lá fui eu. Acreditei nos meus amigos. Afinal os amigos dizem sempre a verdade para a gente...

Comprei passagem com o Avrum. Passagem de avião...

E lá fui eu...

Subi no avião.

“Que coisa linda!” Exclamei. Nunca tinha entrado num equipamento destes...



Logo de início tive que me “amarrar” num cinto. Vi que todos estavam fazendo isso... acendeu uma “luzinha”. Não entendi nada do que estava escrito. Mas... Pensei: “será que as “amarras” do cinto era para que eu não caísse? Ou para que eu não pudesse ir para a frente? Eram minhas dúvidas, mas não podia perguntar para ninguém. Ninguém me entenderia e eu não entenderia eles... Fiquei “amarrado” e quieto.

Vi uma moça muito bonita, distribuindo balas. Deveria ser a “secretária” do piloto.

Sabem porque?

`Porque ela estava vestida com um uniforme da cor do uniforme do piloto. Só que ele estava com um “boné” branco e ela não tinha nada na cabeça, só um lenço “amarrado” no pescoço.



E lá fomos nós...

Começou a subida e eu tive uma dor no meu “buch” (barriga). “Ui vei...” (expressão idiomática)

A viagem foi tranqüila, até que num dado momento começou a “sacolejar” e eu fiquei com “medo”. Me lembrei de algumas “bruches” (bênçãos) e comecei a dizer. Não em voz alta, para não atrapalhar meus “vizinhos”, mas em voz baixa, não tão baixa assim... Até que tudo voltou ao normal. Respirei fundo e disse: “Danken got”... ( Obrigado Deus)

-         Mane tzures” (Meus problemas), pensei com meus botões. Será que sempre é assim? Com “sacolejos”? Não sei, e nem perguntei. Ninguém iria me entender... Mas agüentei firme.



Só estava pensando no momento da parada do avião. O que irei fazer? Não sei nada de japonês. O que fazer? Lembrei que meus amigos da Bessarábia me disseram que sempre a “gente” encontra algum conhecido. Assim eu espero. Nós “idn” (judeus) somos muito amigáveis e conhecidos, até pelos nossos “neizl” (nariz). Espero que me reconheçam... Espero que falem comigo. Já estou cansado de não poder falar com ninguém...

Por enquanto estou comendo bastante.

“Como servem coisas boas neste “bonde”. Parece um “bonde” de tão grande... Só falta me servirem “ghefilte fish e hering” ( tipos de peixes). Seria muito legal!! Até agora não me serviram estas “coisas deliciosas”. Estão servindo outras coisas... Também boas. Não conheço, mas vou comendo... Vou aguardar, pode ser que venham algumas coisas “kasher”. Por enquanto nenhuma delas foi “kasher”, mas está valendo a pena...



O tempo foi passando.

O “ghefilte fish” não veio.

Ouvi pelo alto falante certas palavras que não entendi nada, mas observei que meus “companheiros” de viagem começaram a se mexer e o avião começou a “empinar’ para baixo.

-         Será que estou chegando? Fiquei “nerveishke” (nervoso).



Pensei: “Na descida vou falar alto algumas palavras em “idisch”. Pode ser que algum “Shloime” (Salomão) ou “Yankl” (Jacob), ou mesmo alguma “Surele” (Sarinha) estejam por ali... vou fazer isso...



E assim aconteceu.

O avião aterrisou com sucesso.

Schmil retirou o cinto de segurança e desceu entusiasmado com as novidades que estava vendo no aeroporto de Tókio. Chovia muito...

Por enquanto não viu nenhum conhecido.

Estava vendo uma “montanha” de gente. Muita gente!!

Todos japoneses!! disse Schmil

Foi seguindo os outros passageiros. Foi seguindo numa fila.

Todos foram ao encontro das malas.

Viu que elas estavam aparecendo através de um “compartimento redondo”.

Num repente observou a sua mala. Ficou satisfeito. Pegou e se dirigiu a um portão, assim como os outros estavam fazendo...



Passou na Alfândega sem falar nada. Só gesticulando como um mudo.

De repente ele largou um grito: “NUUUUU...” e viu que várias pessoas olharam para ele e não eram  japoneses.

Entenderam!!!  Devem ser os Shloimes, Yankl e Sureles...



Eram “idn” que também estavam viajando e que entendiam o “idisch”. Quando ouviram o “NUUUUU...”  perceberam a palavra “técnica” dos patrícios “idisch”.

Se abraçaram. Se beijaram. e foram conversando...  Sim, conversando. A quanto tempo nosso personagem não dialogava...



Schmil ficou alguns dias no Japão e se dirigiu, agora sem medo, para a Inglaterra..



A partir dali Schmil chegou a seguinte conclusão: Quando não sabemos falar nenhum idioma basta dizer “NUUUUU...” em qualquer lugar do mundo que logo aparecerá alguns entendedores...



“NUUUUU...” , não é verdade?